A Polícia Federal intimou Daniel Vorcaro e o pai, Henrique Vorcaro, para novos depoimentos antes do encerramento desta etapa da apuração. Nos bastidores, investigadores acompanham com receio o impacto da crise aberta no Supremo Tribunal Federal sobre o rumo do inquérito.
O cálculo das defesas é aproveitar o impasse, os questionamentos sobre a condução dos procedimentos e a falta de definição na Corte para reforçar pedidos de liberdade ou, ao menos, de prisão domiciliar. O primeiro movimento mira Henrique Vorcaro.
A tática, outra vez, é atrasar o relógio. Os advogados já sinalizaram a intenção de pedir novo adiamento dos depoimentos. A aposta é ficar parado e observar quem permanece de pé no Supremo, com qual força e com qual controle sobre as investigações.
Esse cenário ajuda a explicar por que Daniel Vorcaro ainda não fechou posição sobre uma eventual colaboração premiada. Na avaliação de investigadores, em tentativas anteriores, ele falou bastante, mas entregou pouco do que pudesse atingir, de fato, as figuras de maior peso ligadas ao caso.
A leitura atribuída a ele é de acomodação. Passada a eleição e encerrada a disputa interna no Supremo, o sistema se reorganiza e sobrevive. Nessa reorganização, o ex-banqueiro também buscaria uma saída.
O capítulo decisivo é quem ficará com o comando da investigação do Master. No entorno de André Mendonça, não se trabalha com a hipótese de ele deixar de retomar a relatoria. Do outro lado, o grupo ligado a Alexandre de Moraes rejeita essa possibilidade.
A briga na Corte, portanto, não se restringe a um embate entre ministros. Tem efeito direto sobre o futuro da apuração, sobre as prisões, sobre uma possível delação e sobre quem controlará a próxima fase do caso. Essa definição passa novamente pelo presidente do Supremo, Edson Fachin.
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