Canadá avalia envio de tropas à Groenlândia para exercícios da OTAN em meio a tensões com os EUA

Governo de Mark Carney considera pequeno contingente militar para reforçar solidariedade com a Dinamarca; decisão pode sair ainda esta semana e contraria ameaças tarifárias de Trump
Por: Brado Jornal 19.jan.2026 às 07h10
Canadá avalia envio de tropas à Groenlândia para exercícios da OTAN em meio a tensões com os EUA
Sean Kilpatrick/The Canadian Press
O governo canadense, sob o primeiro-ministro Mark Carney, estuda o envio de um pequeno contingente de soldados à Groenlândia para participar de exercícios militares coordenados pela OTAN e liderados pela Dinamarca. A operação, batizada de Arctic Endurance, visa demonstrar compromisso aliado com a soberania dinamarquesa sobre a ilha ártica, em resposta às pressões americanas para aquisição ou controle do território.

De acordo com fontes oficiais citadas por veículos como CBC News e The Globe and Mail, as Forças Armadas Canadenses já elaboraram planos operacionais e aguardam apenas a aprovação política final de Carney. Caso autorizado, os militares poderiam chegar à Groenlândia ainda nesta semana (a partir de 19 ou 20 de janeiro). O Canadá já mantém presença na ilha com caças CF-18 e um helicóptero Cormorant, integrados a exercícios NORAD.

Carney classificou as ameaças tarifárias anunciadas por Donald Trump como uma “intensificação preocupante” do cenário internacional. No sábado (17), o presidente americano confirmou tarifas iniciais de 10% (subindo para 25% em junho) sobre exportações de oito países europeus, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, condicionadas à recusa em ceder a Groenlândia aos EUA. Trump condicionou o fim das sanções a um “acordo completo e total” para a compra da ilha.

O primeiro-ministro canadense reforçou que a segurança da Groenlândia “cai plenamente dentro das responsabilidades da OTAN”, invocando os Artigos 2 e 5 do tratado (defesa coletiva e compromisso com a integridade territorial). Ele destacou conversas com líderes europeus e aliados da aliança para coordenar respostas. “As decisões sobre o futuro da Groenlândia cabem à Groenlândia e ao Reino da Dinamarca. Somos parceiros da OTAN com a Dinamarca, e nossa parceria integral permanece firme”, afirmou Carney.

A movimentação canadense se soma à chegada recente de tropas simbólicas de vários países europeus (França, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia, Países Baixos e Reino Unido) a Nuuk, capital groenlandesa, para missões de reconhecimento e exercícios conjuntos. A operação não é uma resposta direta à OTAN como bloco, mas demonstra solidariedade bilateral e multilateral à Dinamarca.

O contexto é de crescente tensão no Ártico: Trump reitera que a Groenlândia é vital para a segurança nacional americana diante de supostas ameaças russas e chinesas, além de recursos minerais e rotas marítimas emergentes com o derretimento do gelo. A Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca, tem autonomia em assuntos internos, mas defesa e relações exteriores são gerenciadas por Copenhague.

Até o momento, não há confirmação oficial de que o envio canadense tenha sido aprovado, mas a possibilidade representa um risco de escalada, já que o Canadá integra a OTAN e mantém aliança histórica com os EUA. Analistas veem o gesto como demonstração de que aliados não aceitarão pressões unilaterais americanas, mesmo sob ameaça tarifária. A decisão final de Carney pode ser anunciada nos próximos dias, em meio a negociações diplomáticas intensas entre Washington, Copenhague e Nuuk.


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