Ed Sheeran perde aberturas após discurso pró-Palestina

Afastamento de Macklemore da turnê Loop provocou a saída em cadeia de outros artistas
Por: Brado Redação 16.set.2026 às 09h54
Ed Sheeran perde aberturas após discurso pró-Palestina
Reprodução

A turnê Loop, de Ed Sheeran, ficou sem atrações de abertura depois que o rapper Macklemore foi retirado da etapa americana e outros músicos recusaram o lugar. Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram nesta terça-feira (15) que não vão mais abrir os shows do britânico, cujas datas vão até 11 de dezembro. Finneas estava confirmado em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro. O grupo irlandês Beoga também tocava com Sheeran em trechos do repertório tradicional.

O episódio começou em 4 de setembro, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Macklemore gritou “Free Palestine” e disse querer que moradores de Gaza e da Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidos. O Conselho Israelense-Americano pediu a exclusão do rapper. A Messina Touring Group, promotora da etapa dos Estados Unidos, informou que casas em Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa não aceitariam o line-up com Macklemore, o que poderia cancelar a turnê e atingir centenas de milhares de fãs. Após conversas, o rapper ficou de fora das oito datas restantes que abriria, com retomada prevista para 19 de setembro, na Filadélfia.

Macklemore publicou na segunda-feira (14) que não se vê como vítima. Disse ter carreira, dinheiro, oportunidades, segurança e público mundial e que, quaisquer que sejam as consequências, pode voltar para casa e para a família. “As vítimas são os palestinos.” Sheeran atribuiu a decisão à promotora e afirmou não ser cúmplice. Declarou ter visões pessoais sobre o conflito, mas que o silêncio público não significa ausência de opinião nem de preocupação.

Um comitê da ONU apontou, em junho, que Israel alvejou crianças de forma deliberada em Gaza e classificou as práticas como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. O relatório estima que cerca de 30% dos 73 mil mortos na guerra na Faixa eram crianças, pouco mais de 20 mil.

Ao deixar a turnê, os artistas manifestaram apoio à causa palestina. Finneas escreveu que músicos não devem ser silenciados por se posicionarem contra a opressão. Lukas Graham afirmou que deveria ser possível falar de guerra, de civis mortos e de crianças que merecem crescer, onde quer que vivam e qualquer que seja a bandeira. Rowe e o Beoga, irlandeses, citaram genocídio, fome forçada, ocupação e colonialismo. Sheeran ainda não se pronunciou sobre a saída dos demais.



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