Operação Poço de Lobato atinge Grupo Refit, maior sonegador de ICMS de São Paulo

Esquema com fintechs, offshores em Delaware e fundos de investimento causou rombo de R$ 26 bilhões à União e aos estados
Por: Brado Jornal 27.nov.2025 às 08h47
Operação Poço de Lobato atinge Grupo Refit, maior sonegador de ICMS de São Paulo
Foto: Eliezer dos Santos/TV Globo

Uma força-tarefa deflagrada na manhã desta quinta-feira (27/11/2025) cumpre 190 mandados de busca e apreensão contra o Grupo Refit, proprietário da antiga Refinaria de Manguinhos (RJ), e outras dezenas de empresas e pessoas ligadas ao conglomerado. São 190 alvos em seis unidades da federação.

Controlado pelo empresário Ricardo Magro, o grupo é apontado como o maior devedor de ICMS do estado de São Paulo, o segundo maior no Rio de Janeiro e um dos principais devedores da União. O prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R$ 26 bilhões.

A investigação aponta a existência de uma organização criminosa especializada em crimes contra a ordem tributária, fraude em combustíveis, lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial. Assim como ocorreu na Operação Carbono Oculto, que revelou a atuação do PCC no setor, os investigadores voltaram a identificar o uso intenso de fintechs e fundos de investimento para ocultar os valores desviados.

Até o momento, a Justiça já determinou o bloqueio de R$ 8,9 bilhões por decisão do Cira-SP e mais R$ 1,2 bilhão por ação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

Em setembro deste ano, a Receita Federal e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) interditaram as instalações da Refit e apreenderam navios com combustível importado irregularmente da Rússia.

O esquema funcionava por meio de uma complexa rede de holdings, offshores, meios de pagamento eletrônicos e fundos de investimento. O dinheiro ilícito era reinvestido em imóveis, empresas e outros ativos, ganhando aparência de licitude.

Os investigadores já mapearam 17 fundos de investimento ligados ao grupo, com patrimônio líquido total de R$ 8 bilhões. A maior parte são fundos fechados com apenas um cotista (geralmente outro fundo), formando várias camadas de ocultação. Há fortes indícios de que as administradoras dos fundos omitiram informações à Receita Federal.

Foram identificadas empresas estrangeiras sediadas em Delaware (EUA), estado americano famoso pelo anonimato de suas LLCs e pela ausência de tributação local quando a renda não é gerada em território norte-americano. Dessa forma, as offshores escapam da tributação tanto nos EUA quanto no Brasil, prática frequentemente usada em lavagem de dinheiro e proteção patrimonial.

Uma das principais movimentações internacionais foi a compra de uma exportadora em Houston, no Texas, usada para importar mais de R$ 12,5 bilhões em combustíveis entre 2020 e 2025.Já foram localizadas mais de 15 offshores americanas que enviaram cerca de R$ 1 bilhão para aquisição de imóveis e participações societárias no Brasil. Outros R$ 1,2 bilhão saíram do país disfarçados de contratos de mútuo conversíveis em ações, que depois retornam como “investimento estrangeiro” por meio de novas offshores.

Operação Poço de Lobato mobiliza 621 agentes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Distrito Federal. Participam do trabalho o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira-SP), Ministério Público de São Paulo, Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e as polícias Civil e Militar.




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