PF flagra reuniões secretas e uso de celular colombiano no grupo de Vorcaro

Relatório policial detalha táticas de disfarce como encontros em pilotis, carros de luxo e números estrangeiros adotadas por Daniel Vorcaro, Felipe Mourão e aliados para evitar vigilância.
Por: Brado Jornal 17.jun.2026 às 10h14
PF flagra reuniões secretas e uso de celular colombiano no grupo de Vorcaro
Foto: Fábio Vieira/Estadão
A Polícia Federal detalhou, em relatório divulgado na terça-feira (16 de junho de 2026), as estratégias usadas pelo grupo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para realizar conversas reservadas e dificultar o monitoramento das autoridades. As práticas incluem encontros discretos em pilotis de prédios, reuniões dentro de veículos de luxo e o uso de números telefônicos internacionais.

O documento destaca que essas medidas faziam parte da rotina da organização, que contava com “A Turma”, formada principalmente por policiais, e “Os Meninos”, grupo de especialistas em tecnologia. Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, liderava “A Turma” e coordenava ações de coação e obtenção de dados sigilosos, com apoio de outros agentes inativos, como Sebastião Monteiro Júnior. O núcleo tecnológico era chefiado por David Henrique Alves, responsável por invasões cibernéticas e remoção de perfis online de opositores.Encontros reservados em BHEm 1º de março de 2026, Sebastião Monteiro convidou Marilson Roseno para um jogo do Atlético-MG, mas o líder recusou e sugeriu um encontro no pilotis do seu prédio, na Avenida Assis Chateaubriand, no bairro Floresta, em Belo Horizonte. Imagens de câmeras de segurança registraram o encontro, que durou cerca de 1h10min.

No dia seguinte, 2 de março, uma Range Rover preta ficou estacionada por 1h20min em frente ao mesmo prédio, com Marilson e Felipe Mourão (conhecido como “Sicário”) dentro do veículo. Outra Range Rover de Felipe Mourão, que transportava David Henrique e Katherine Venâncio com vários computadores, foi abordada pela Polícia Rodoviária Federal na BR-381.Números estrangeiros e destruição de provasPara escapar de interceptações, o grupo utilizava linhas internacionais. Henrique Vorcaro, pai de Daniel, adotou um número registrado na Colômbia. Sebastião Monteiro usava um telefone dos Estados Unidos (+1) para falar com Marilson, que também recorria a um número internacional no WhatsApp Business.

A eliminação de evidências digitais era rotina e incentivada pela cúpula. Em um áudio, Daniel Vorcaro orientou Felipe Mourão a apagar mensagens após ouvir. Marilson apagou conversas antigas com Henrique Vorcaro, deixando apenas trocas a partir de fevereiro de 2026. O grupo ainda priorizava mensagens temporárias e chamadas por aplicativos em vez de ligações convencionais.


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