PF investiga Flávio Bolsonaro no financiamento do filme “Dark Horse”

Inquérito autorizado por André Mendonça apura lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas
Por: Brado Redação 11.set.2026 às 09h38
PF investiga Flávio Bolsonaro no financiamento do filme “Dark Horse”
ALBARI ROSA / AFP

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, figura como investigado em inquérito da Polícia Federal sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação veio à tona nesta sexta-feira (11), quando o relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro André Mendonça, retirou o sigilo a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

A abertura do procedimento ocorreu em julho, com aval de Mendonça, a pedido da PF. A Procuradoria-Geral da República foi consultada e não se opôs à investigação. O ministro determinou que o caso fosse encaminhado à polícia para diligências que não dependessem de autorização judicial. Segundo a decisão, as suspeitas envolvem lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes que teriam sido praticados, em tese, por Flávio Bolsonaro no contexto do financiamento da obra junto a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

O financiamento do filme tramita em dois inquéritos no STF. No primeiro, sob relatoria de Mendonça, a PF examina os repasses feitos por Vorcaro: em que circunstâncias ocorreram, qual a origem do dinheiro, qual o montante exato e qual o destino final. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido aplicada na produção. É nesse inquérito que o nome de Flávio aparece na lista de investigados.

O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura se a produtora Go Up Entertainment usou emendas parlamentares para custear o filme. Nesta quinta-feira (10), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de participação em um esquema de desvio dessas emendas. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pela obra.

Há ainda uma apuração em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, sobre um contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para a instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia. O contrato não foi cumprido por completo, e há suspeita de desvio de parte dos valores. Em outro trecho, o material cita um contrato de R$ 108 milhões entre uma ONG de Karina da Gama e a Prefeitura de São Paulo para o mesmo tipo de serviço, objeto de investigação do Ministério Público e da Polícia Civil.

O filme ganhou repercussão depois que o site Intercept Brasil divulgou conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro nas quais o senador pede recursos para a produção. As negociações incluíram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, que solicitou dinheiro e cobrou os pagamentos. Vorcaro chegou a destinar R$ 61 milhões aos produtores por meio de um fundo nos Estados Unidos.

Segundo o Intercept Brasil, Flávio teria negociado o repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, para financiar a obra sobre Jair Bolsonaro. A produtora afirma ter gasto R$ 75,1 milhões. O valor de R$ 134 milhões seria aquele tratado antes da prisão de Vorcaro.

No âmbito da Operação Make Up, Dino autorizou buscas cumpridas em conjunto pela PF e pela Controladoria-Geral da União. Foram 49 mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Dino relata no Supremo processos sobre irregularidades no envio de recursos públicos por parlamentares às suas bases eleitorais. O ministro também impôs medidas cautelares a Mario Frias, com proibição de deixar o país e de manter contato com os demais investigados no inquérito sobre desvio de emendas.

As apurações do Banco Master e do filme se cruzam com uma crise no STF envolvendo Mendonça e Alexandre de Moraes. O episódio também alcançou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e, depois, Flávio Dino. Antes da divulgação do relatório que encadeou as decisões, já havia divergência entre o gabinete de Mendonça e a direção da PF sobre o rumo das investigações do caso Master.

Mendonça relata tanto as apurações ligadas ao banco quanto o inquérito sobre os repasses para o filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou Andrei Rodrigues a procurar o ministro para tratar da relação entre a PF e o gabinete do relator.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
STF nega mandado contra Flávio Bolsonaro
Corte esclarece ausência de ordem de busca enquanto senador segue aos EUA após entrega de passaportes
Flávio Bolsonaro chega a Miami
Jatinho particular com senador e familiares aterrissa nos Estados Unidos após rota pela Argentina e Equador
Ministros de Lula criticam Moraes sobre Flávio
Integrantes do governo e da corte avaliam que medida sobre passaportes reforçou narrativa de perseguição e facilitou saída do senador
Flávio fugiu com a família para os EUA e pedirá asilo político a Trump
Operação de saída do senador contou com aliados no Brasil e nos Estados Unidos, que avisaram o governo americano
Flávio Bolsonaro chega aos EUA via Equador
Senador e familiares cruzaram a fronteira argentina e seguiram em voo privado após descumprirem ordem de entrega de passaportes
Flávio entrou nos EUA com autorização humanitária de 1 ano de permanência
Senador e família receberam permissão temporária da alfândega americana, a mesma usada para refugiados ucranianos
Carregando..