Concessão de Jericoacoara vai para consórcio ligado à família Capobianco, núcleo duro do Meio Ambiente

Grupo Cataratas e Construcap, presidida por empresário absolvido na Lava Jato e irmão do nº 2 da pasta, selam acordo de R$ 116 mi para gerir parque cearense por 30 anos
Por: Brado Jornal 24.abr.2025 às 07h08
Concessão de Jericoacoara vai para consórcio ligado à família Capobianco, núcleo duro do Meio Ambiente
Parque Nacional de Jericoacoara - Foto: André Dib

O Consórcio Dunas — que reúne o Grupo Cataratas e a Construcap — venceu o leilão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e assumirá, por três décadas, a bilheteria e a infraestrutura do Parque Nacional de Jericoacoara (CE). Para garantir a outorga, o grupo ofereceu R$ 61 milhões, mais que o dobro do segundo colocado, e promete investir R$ 116 milhões em obras de acesso, centros de visitantes e programas socioambientais.

A vitória reaqueceu suspeitas de conflito de interesses: a Construcap é presidida por Roberto Ribeiro Capobianco — preso na fase 31 da Lava Jato, mas absolvido em 2020 pelo TRF‑4 — e irmão de João Paulo Capobianco, secretário‑executivo do Ministério do Meio Ambiente, ao qual o ICMBio é subordinado. Os dois ainda são sócios na usina sucroalcooleira Goiasa, de capital registrado em R$ 267,7 milhões.


Histórico turbulento

  • Lava Jato (2016): Roberto e o irmão Eduardo Capobianco foram detidos na Operação Abismo, acusados de pagar R$ 39 milhões em propina no consórcio que reformou o Centro de Pesquisas da Petrobras.
  • Absolvição (2020): a 8.ª Turma do TRF‑4 anulou a condenação imposta pelo então juiz Sérgio Moro.
  • Estrutura familiar: a Construcap mantém quatro Capobianco em cargos estratégicos — presidência, diretoria e conselho.


Defesa e fiscalização

Em nota, o Consórcio Dunas garantiu “licitação transparente” e disse ter “ampla experiência em gestão de atrativos”. O ICMBio e o Ministério do Meio Ambiente reforçaram que o certame passou por audiências públicas, crivo do BNDES, programa PPI, aval do TCU e pregão na B3.


Próximos passos

O parque vive fase de transição para a administração privada. Quando a cobrança de ingressos começar, caberá ao próprio ICMBio fiscalizar receitas, execução de obras e repasses sociais. Enquanto isso, organizações ambientais e parlamentares prometem monitorar de perto a relação entre o concessionário e o segundo homem mais poderoso da pasta que autorizou o negócio.


Edilson Rodrigues/Agência Senado



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