Santa Catarina sanciona lei que proíbe cotas raciais em universidades

Governador Jorginho Mello (PL) sanciona projeto aprovado pela Assembleia Legislativa; medida extingue reserva de vagas por raça ou cor em instituições estaduais de ensino superior
Por: Brado Jornal 22.jan.2026 às 21h23
Santa Catarina sanciona lei que proíbe cotas raciais em universidades
Divulgação
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), sancionou nesta quinta-feira (22) a lei que proíbe a adoção de cotas raciais em universidades estaduais do estado. A norma, aprovada pela Assembleia Legislativa em dezembro de 2025, extingue qualquer reserva de vagas baseada em raça, cor, etnia ou origem em processos seletivos de instituições públicas de ensino superior catarinenses.

lei determina que as universidades estaduais, como a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), entre outras, não poderão mais implementar sistemas de cotas raciais em vestibulares ou processos seletivos. A justificativa apresentada pelo governo estadual é a promoção de igualdade de oportunidades sem distinção de origem racial, com foco em critérios socioeconômicos ou de renda para ações afirmativas.

O texto sancionado altera dispositivos da legislação estadual de educação superior e entra em vigor imediatamente. A medida revoga qualquer norma anterior que permitisse cotas raciais em âmbito estadual, alinhando-se a uma tendência observada em outros estados e municípios que questionam o modelo de cotas por raça.

A sanção ocorre em um contexto de debates nacionais sobre o tema, especialmente após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2012, que considerou constitucional a adoção de cotas raciais em universidades federais e estaduais. No entanto, a lei catarinense aplica-se exclusivamente às instituições mantidas pelo estado, sem interferir diretamente nas universidades federais presentes em Santa Catarina (como a UFSC e a UFSCar em Araranguá).

O governador Jorginho Mello justificou a sanção afirmando que a medida garante “igualdade real” e combate “discriminações reversas”. A oposição, liderada por partidos como PT e PSOL, criticou a decisão como retrocesso nas políticas de inclusão racial e social, argumentando que as cotas têm papel comprovado na redução de desigualdades no acesso ao ensino superior.

A sanção gerou repercussão imediata nas redes sociais e em veículos de imprensa, com postagens destacando o contraste entre a política estadual e as diretrizes federais. Até o momento, não há informações sobre ações judiciais para questionar a constitucionalidade da lei, mas o tema pode chegar ao Judiciário em breve, dada a jurisprudência do STF sobre o assunto.

A lei não afeta cotas para pessoas com deficiência, egressos de escolas públicas ou outros critérios socioeconômicos, que permanecem permitidos.


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