O partido PL convocou para esta terça-feira (19 de maio de 2026) uma reunião ampliada com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pela legenda, e as bancadas de deputados federais e senadores. O encontro será a primeira grande discussão coletiva do partido desde o início da polêmica envolvendo o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.
A crise ganhou força na última semana após o Intercept Brasil divulgar mensagens, áudios e documentos que mostram Flávio negociando com Daniel Vorcaro, do Banco Master, aportes de cerca de US$ 24 milhões (R$ 134 milhões) para o longa-metragem “Dark Horse”. A revelação gerou desgaste interno e externo para o filho do ex-presidente.
Antes dessa reunião maior, Flávio já havia se reunido com figuras como o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho (PL-RN) — futuro coordenador de campanha — e o próprio Jair Bolsonaro. No entanto, a participação agora será mais ampla, com debate direto entre o pré-candidato e um número maior de parlamentares sobre os próximos passos.
Aliados têm apontado falhas na forma como Flávio vem lidando publicamente com o caso. Críticas internas mencionam pronunciamentos feitos de forma rápida e no calor do momento, o que teria gerado contradições exploradas pela oposição. Um exemplo citado foi a negação inicial de pedido de recursos a Vorcaro, seguida de admissão posterior.
O deputado Mario Frias (PL-SP), envolvido na produção do filme, também gerou confusão ao negar inicialmente que Vorcaro tivesse financiado o projeto, em declaração dada no mesmo período em que Flávio confirmava o contato. Frias depois esclareceu que se referia à pessoa física, mas documentos indicam que uma empresa ligada ao ex-banqueiro fez os repasses.
O influenciador Paulo Figueiredo, próximo de Eduardo Bolsonaro, questionou publicamente a ida de Flávio a uma entrevista na GloboNews na quinta-feira. Ele classificou o episódio como problema de “comunicação e política”, e não jurídico. Eduardo, irmão de Flávio, reforçou em live no domingo a necessidade de respostas mais cautelosas para evitar contradições.
Outro ponto de insatisfação entre aliados foi a ausência temporária do publicitário Marcello Lopes, responsável pela comunicação da campanha, que está de férias nos Estados Unidos. Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência, minimizou o fato nas redes, afirmando que Lopes assume oficialmente a partir de 1º de junho.
Em paralelo, partidos que vinham negociando apoio a Flávio, como a federação União Brasil-PP e o Republicanos, decidiram pausar as conversas e avaliam adotar posição de neutralidade enquanto a situação não se esclarece.
A Polícia Federal também investiga se recursos destinados ao filme teriam sido usados para outros fins, como custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos — algo negado pelo ex-deputado.
A reunião desta terça busca, portanto, alinhar o partido e definir uma estratégia unificada para superar o desgaste causado pelo caso.
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