Recorde de 87% dos deputados federais busca reeleição

Levantamento do Diap indica que a maioria dos parlamentares da Câmara pretende tentar novo mandato neste ano
Por: Brado Redação 27.jul.2026 às 16h12
Recorde de 87% dos deputados federais busca reeleição
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Um estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar aponta que 87,32% dos deputados federais planejam disputar a reeleição nas eleições de 2026. O índice supera o de 2022 e estabelece o maior patamar da série histórica acompanhada pela entidade.

A apuração se baseou em pesquisas, consultas a sites, contatos com candidatos e dirigentes partidários, além da análise dos arranjos políticos regionais. Do total de 513 parlamentares, 448 já declararam intenção de permanecer na Câmara. O número pode subir para até 495 caso indecisos e pré-candidatos ao Senado mudem de planos.

Na disputa de 2022, o percentual ficou em 86,93%. Em pleitos anteriores, os índices foram inferiores: 75,43% em 2018, 79,33% em 2014 e 86,16% em 2010. O total definitivo só será conhecido após o registro oficial das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral.

Os dados sugerem baixa renovação na Câmara dos Deputados. Já no Senado a situação tende a ser diferente, pois dois terços das cadeiras estarão em jogo neste ano.

Neuriberg Dias, diretor do Diap, atribui o fenômeno ao forte aumento no volume de emendas parlamentares. “Os parlamentares praticamente quintuplicaram o valor que tinham disponível de emendas parlamentares. O que cada deputado tinha em torno de R$ 10 a 15 milhões ao ano aumentou para R$ 50 milhões. Isso é um fator que vai pesar muito neste índice de baixa renovação”, explicou.

Segundo a entidade, partidos menores devem sofrer mais com o endurecimento das regras eleitorais e o avanço da cláusula de barreira. As maiores bancadas devem ficar com União-PP, PT e PL, seguidos por Republicanos e PSD.

A expectativa é de retorno de nomes tradicionais e experientes, com reforço da centro-direita e do centrão, além da manutenção da influência das bancadas informais, como a ruralista, a da segurança pública e a evangélica.

“Por ter preferência aos recursos do partido, mesmo durante o mandato está sempre em campanha nas bases, ele é visto com mais frequência. Assim, os partidos vão optar por jogar o jogo com o time que está dando resultado já que é mais garantido”, completou Neuriberg.



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