O Partido Novo anunciou nesta segunda-feira, 27 de julho, a escolha de Romeu Zema como candidato à Presidência da República. O ato ocorreu em Brasília, com a presença do presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, depois de uma convenção nacional realizada de forma virtual. A chapa ainda não tem nome para a vice-presidência, que deve ser definido até 5 de agosto. A sigla exige que o escolhido tenha ficha limpa e resista a pressões políticas.
No discurso, Zema agradeceu o apoio unânime dos filiados e se apresentou como o mais preparado entre os concorrentes. “Agradecer todos do Partido Novo aqui pela presença e também por endossarem unanimemente meu nome agora há pouco na convenção como pré-candidato e candidato à presidência da República e, como já foi dito aqui, eu me considero com todas as credenciais. Modéstia à parte, até mais do que os meus concorrentes”, disse. Ele se colocou como opção para quem está cansado da polarização e lembrou que Minas Gerais já viveu experiência semelhante com sua eleição ao governo estadual.
O ex-governador listou várias propostas. Defendeu o fim do que chama de “farra dos intocáveis”, em referência a autoridades que, na visão dele, escapam de responsabilização. Prometeu combater a corrupção sem favorecer parentes, aliados ou grupos políticos. Falou em retomar a soberania nacional no enfrentamento ao crime organizado e classificou como urgente o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas. “O Brasil já deveria ter feito isso há muito tempo”, afirmou.
Zema também anunciou a construção de um superpresídio em local remoto, de preferência no meio da Amazônia, para isolar lideranças do crime. Segundo ele, esses chefes deveriam “mofar por pelo menos 25 anos”. Criticou a falta de presença do Estado em áreas dominadas por facções e cobrou redução de privilégios no setor público, citando medidas que adotou em Minas Gerais. No campo econômico, pediu ambiente mais favorável a empreendedores, combate à burocracia e ampliação das privatizações. “Não tem vaca sagrada”, respondeu quando perguntado sobre estatais.
Sobre o Supremo Tribunal Federal, o candidato propôs idade mínima de 60 anos para indicação de ministros, uso de lista tríplice e fim das decisões monocráticas em temas já analisados pelo Congresso. Ele mencionou o processo movido pelo ministro Gilmar Mendes e associou integrantes da Corte ao caso do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Zema elogiou o ex-ministro Joaquim Barbosa, a quem classificou como o “oposto” de vários membros atuais do STF, e disse ter interesse em se reunir com ele.
“No Brasil, o setor público carece de bons exemplos. Nós temos aqui o contrário como essas aberrações que têm acontecido no Supremo Tribunal Federal. E ninguém aguenta mais quatro anos de Lula e de PT”, declarou. Em relação ao Congresso, criticou o modelo de “toma lá, dá cá” e classificou as emendas parlamentares como “um mal que acomete o Brasil hoje”.
Eduardo Ribeiro destacou a gestão de Zema em Minas. “Se tem algo, talvez o maior legado que o Zema tenha deixado em Minas Gerais, e que é o que nós vamos buscar mostrar para o brasileiro, que é capaz de fazer no Brasil, é que uma boa gestão com pessoas decentes, qualificadas, competentes, íntegras e corajosas enterra o PT, como nós enterramos o PT em Minas Gerais, nós vamos enterrar o PT”, afirmou o presidente do Novo.
Romeu Zema, de 61 anos, governou Minas Gerais de 2019 a março de 2026. Tem histórico de aproximação com a família Bolsonaro e trajetória empresarial antes de entrar na política. Agora, com a candidatura oficializada, ele se coloca como alternativa de gestão e endurecimento no combate ao crime e à burocracia.
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