A juíza federal Giovana Teixeira Brantes Calmon considerou que existem indícios a serem investigados sobre o possível conhecimento de Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, a respeito das manipulações contábeis que teriam causado um rombo estimado em R$ 54 bilhões na Americanas.
Na decisão que autorizou a segunda fase da Operação Disclosure, a magistrada afirmou que os dois, na condição de acionistas e integrantes do conselho da empresa, tinham posição de influência na gestão da varejista. Segundo a decisão, essa circunstância justificaria o aprofundamento das investigações para apurar eventual participação ou conhecimento das irregularidades.
A juíza também destacou que a ausência de mensagens, atas ou documentos formais não afasta, por si só, a possibilidade de envolvimento, considerando que investigações sobre fraudes corporativas podem depender da análise de diferentes elementos de prova.
O Ministério Público Federal havia se manifestado contrário às buscas e ao bloqueio de bens relacionados ao valor investigado, defendendo a adoção de medidas consideradas menos invasivas. A magistrada, porém, autorizou a apreensão de dispositivos eletrônicos por entender que a medida poderia contribuir para a coleta de provas durante a investigação.
Até o momento, não há condenação contra os citados, e as medidas autorizadas fazem parte da fase de apuração dos fatos.
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