O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta quarta-feira, 9 de setembro, a abertura completa do sigilo das apurações sobre o Banco Master. Foi a primeira fala pública depois que André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
No X, Lula não citou nomes. Chamou o episódio de maior crime financeiro da história do Brasil e pediu explicações e medidas imediatas diante do que descreveu como crise institucional no Judiciário. Também atacou vazamentos seletivos com efeito na disputa eleitoral e pediu mais transparência nas investigações.
O petista usou a Operação Spoofing como comparação. Aquela apuração, de 2019, reuniu mensagens atribuídas a Sergio Moro e a procuradores da Lava Jato, depois usadas pela defesa de Lula para questionar a atuação do então juiz e da força-tarefa. Moro e procuradores contestaram a autenticidade dos diálogos.
A frase central do presidente foi direta: é urgente quebrar o sigilo de todos os envolvidos no Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil, escreveu, precisa saber a verdade.
A postagem saiu um dia após Mendonça afastar de forma preventiva Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. O ministro alegou que a PF produziu relatórios sobre sua atuação no STF e o monitorou por quase um mês. Nesta quarta, Flávio Dino determinou a volta dos dois aos cargos.
A Advocacia-Geral da União recorreu a Edson Fachin para sustar o afastamento. Argumentou que os relatórios citados por Mendonça já estavam com a Presidência da Corte. Na terça, Lula reuniu emergencialmente o advogado-geral Jorge Messias e o ministro da Justiça, Welligton César Lima. Mais tarde, em cerimônia no Planalto, falou de política ambiental e não mencionou a crise na PF.
O impasse no comando da polícia se cruza com o Master. Em 1º de setembro, Mendonça tirou o sigilo de mensagens e registros do celular de Daniel Vorcaro. O material citou Alexandre de Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet e ampliou a tensão.
Em 3 de setembro, Lula já havia gravado um vídeo sobre o banco. Defendeu investigação sem proteção a ninguém e cobrou do STF e da PGR um rito que preserve a integridade e a confiança das apurações.
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