Plano de Dark Horse previa faturar o dobro da bilheteria de Homem-Aranha

Documento encontrado no celular de Vorcaro projetava até US$ 100 milhões e foi usado pela PF para questionar a finalidade do negócio
Por: Brado Redação 11.set.2026 às 16h00
Plano de Dark Horse previa faturar o dobro da bilheteria de Homem-Aranha
Foto: Reprodução

Um plano de negócios do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, estimava uma arrecadação tão alta que, no cenário mais otimista, superaria de longe o desempenho de grandes sucessos de bilheteria. O material, intitulado “Plano de Negócios Capitão do Povo V5”, foi localizado no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e consta de relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal em 8 de julho.

O documento previa investimento de US$ 24 milhões e apresentava três projeções de renda: US$ 45 milhões no cenário pessimista, US$ 70 milhões no conservador e US$ 100 milhões no otimista. A comparação com o desempenho recente de Homem-Aranha: Um Novo Dia, que já superou R$ 340 milhões no Brasil, foi usada para dimensionar o tamanho da aposta: no recorte mais ambicioso, a estimativa do longa sobre Bolsonaro chegava a cerca do dobro desse patamar, quando convertida.

A PF destaca o descompasso com o mercado audiovisual brasileiro. O recorde nacional segue com Minha Mãe é uma Peça 3, de 2019, que faturou cerca de R$ 120 milhões, equivalentes à época a cerca de US$ 30 milhões. Segundo o relatório, o cenário otimista de Dark Horse superaria esse recorde em mais de três vezes e se aproximaria do desempenho de grandes produções hollywoodianas.

Para a polícia, essa diferença “não caracteriza por si só qualquer ilícito penal”, mas reforça a necessidade de investigar a destinação dos recursos e a compatibilidade econômica da operação. O inquérito apura lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, entre outros crimes.

Vorcaro desembolsou cerca de US$ 12,2 milhões para o filme, valor bem acima do usual no cinema brasileiro. A PF pede que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro sejam formalmente investigados. Os investigadores apontam o publicitário Thiago Miranda e o deputado Mário Frias (PL-SP) como intermediários entre Flávio e o dono do Banco Master.

O relatório também descreve o fluxo financeiro pela Entre Investimentos e Participações, ligada a Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, rumo ao fundo americano Havengate Development Fund LP. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que, diante de dificuldades para enviar dinheiro “ao filme”, o ex-banqueiro orientou pagamento “via entre”. A PF conclui que Flávio não aparece só como intermediário, mas como interlocutor direto, com cobranças, reuniões e acompanhamento das gravações.

Na quinta-feira, 10, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte das apurações do caso Master, a pedido do presidente do STF, Edson Fachin. A investigação específica sobre Dark Horse ficou de fora dessa abertura. Procurado sobre o relatório, Flávio Bolsonaro não comentou. Em agosto, sua defesa pediu acesso aos autos.



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