Polícia apura vazamento em operação que mira PCC e Milton Leite em SP

Seis dos 16 alvos de prisão temporária seguem foragidos, entre eles o ex-presidente da Câmara e o dono da A2 Transportes; buscas acham passagem entre imóveis e dinheiro em malas
Por: Brado Redação 18.set.2026 às 15h31
Polícia apura vazamento em operação que mira PCC e Milton Leite em SP
Foto: Reprodução/Instagram

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo vão investigar um possível vazamento de informações da Operação Vectura Corrupta, que apura infiltração do PCC no transporte coletivo da capital. A suspeita cresceu depois que agentes foram a endereços ligados a Milton Leite (União Brasil) e só encontraram empregados. O empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, o Camarão, presidente da A2 Transportes e do Água Santa, também não apareceu nos locais visitados.

Em coletiva na quinta (17), o delegado Fabrício Intelizano, de Mogi das Cruzes, disse que a hipótese será apurada no curso do inquérito, mas que não dá para afirmar de forma categórica. Argumentou que a maioria dos alvos foi presa: se houvesse vazamento amplo, o resultado seria outro. Dez dos 16 mandados de prisão temporária foram cumpridos. Seis pessoas continuam foragidas.

Milton Leite negou vínculo com o PCC e disse que se entregaria em até 24 horas. Afirmou estar em viagem política e que a mulher estava no exterior. Passado o prazo, não se apresentou e segue procurado.

Na manhã desta sexta (18), polícia e MP acharam em Sorocaba uma passagem ligando a casa de um assessor a outro imóvel atribuído a Milton. No primeiro, havia dinheiro e documentos. Quem estava no local não soube explicar a origem. Foram apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil (cerca de R$ 457 mil) em malas. A polícia investiga se os valores são do ex-vereador. O segundo imóvel estava vazio. Investigadores suspeitam que o foragido tenha passado por ali e vão cruzar imagens de câmeras.

Entre os presos estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e agora candidato a deputado estadual. O Ministério Público alega que pelo menos 12 das 22 empresas de ônibus da capital seriam controladas, direta ou indiretamente, pelo PCC — tese ainda sujeita à Justiça.

O nome de Milton aparece em diálogos e em depoimentos de PMs que o apontam como “dono de fato” da Transwolff, empresa já alvo da Operação Fim da Linha, em 2024. A companhia e o político negam participação societária ou gestão. Milton diz que vai provar a inocência.



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