O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou à PGR (Procuradoria-Geral da República) e à PF (Polícia Federal) que o grupo político do senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia R$ 3 milhões por mês em propina na Bahia. A informação consta de uma proposta de colaboração premiada obtida pelo UOL e foi divulgada nesta sexta-feira (25/09). A PF e a PGR rejeitaram o acordo por falta de provas suficientes para homologação.
Segundo o relato de Vorcaro, cerca de R$ 2 milhões mensais eram repassados por meio de contrato entre o Master e a PKL One, empresa que operava o Credcesta, cartão de crédito consignado voltado a servidores públicos baianos. Outro R$ 1 milhão seria pago em espécie. O ex-banqueiro afirma que Wagner tinha participação oculta na estrutura da PKL One, por meio de Guilherme Henrique Sodré Martins, o Guiga, apontado no documento como operador do senador. Guiga é pai de um enteado de Wagner.
O contrato entre o Master e a PKL confirma a previsão de repasses mensais de aproximadamente R$ 2 milhões classificados como "despesas operacionais". O documento não identifica Wagner ou qualquer outro político como beneficiário direto dos valores.
A Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), estatal que detinha a operação do Credcesta antes da privatização, foi arrematada em leilão que é alvo de investigação da PF por suspeita de fraude e direcionamento. À época do processo, Wagner ocupava o cargo de secretário de Governo da Bahia, na gestão de Rui Costa (PT). Dezesseis dias após o leilão, dois decretos assinados por Rui Costa ampliaram as regras de exploração do Credcesta.
Horas depois da repercussão da denúncia, Wagner gravou um vídeo negando as acusações. "Eu nunca tive relação com o senhor Daniel Vorcaro. No Senado, assinei a criação da CPI do Master e propus limitar juros para proteger os consumidores", afirmou o senador, que também citou a absolvição obtida em processo semelhante na eleição de 2018.
A denúncia ocorre na mesma semana em que pesquisa Quaest, encomendada pela Globo e divulgada nesta quinta-feira (24/09), aponta Wagner como o candidato ao Senado com maior rejeição na Bahia: 40% dos entrevistados afirmam conhecê-lo e não votar nele, mesmo índice da pesquisa anterior, de 27 de agosto. Rui Costa aparece na sequência, com 38% de rejeição, alta de dois pontos no período.
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