Trump evita reconhecer Flávio como líder do Brasil, segundo fontes

Autoridades americanas indicam que a Casa Branca não tem planos de endossar a autoproclamação do senador, mesmo após autorizar sua entrada nos Estados Unidos
Por: Brado Redação 30.out.2026 às 09h53
Trump evita reconhecer Flávio como líder do Brasil, segundo fontes
Reprodução

O governo de Donald Trump não pretende reconhecer a alegação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que seria o líder legítimo do Brasil. A informação foi repassada na quinta-feira (29) por uma autoridade norte-americana e por outra pessoa familiarizada com o assunto, ambas sob condição de anonimato.

Apesar de o governo americano ter facilitado a chegada do candidato derrotado aos Estados Unidos — depois de anos de aproximação com ele e com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro —, não há, no momento, intenção de endossar suas ambições políticas. As fontes ressalvaram que Trump pode alterar sua posição no futuro.

Trump afirmou que a eleição brasileira de domingo pareceu “manipulada”, mas destacou que não ofereceu apoio a nenhum dos lados na disputa. Ele também disse que se dá bem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito por cerca de 3,5 pontos percentuais, resultado que contrariou as pesquisas.

A postura sugere que o presidente americano pode estar relutante em provocar uma nova crise nas relações com o Brasil, que oscilaram nos últimos meses. Uma terceira autoridade, também sob anonimato, avaliou que o capital político de Flávio diminuiu com o autoexílio. Parte dos conservadores brasileiros que esperavam que ele liderasse a oposição criticou sua saída do país.

A Casa Branca encaminhou o pedido de comentário ao Departamento de Estado, que não respondeu. O governo brasileiro e um representante de Flávio também não se manifestaram.

Jair Bolsonaro está preso por tentativa de golpe após perder a reeleição de 2022. Algumas autoridades brasileiras, sob condição de anonimato, disseram à Reuters que a partida de Flávio favorece Lula ao enfraquecer a oposição conservadora no Congresso.

A viagem ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a entrega do passaporte do senador, a pedido da Polícia Federal, que o investiga por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O pedido policial foi feito minutos após a proclamação da vitória de Lula, sequência que alguns conservadores apontam como indício de motivação política.

Apoiadores de Lula lembram que, dias antes do pleito, o irmão de Flávio, Eduardo — ex-deputado que vive nos Estados Unidos e foi condenado pelo STF em junho por tentar promover uma interferência americana no julgamento do pai —, sugeriu publicamente que Flávio deixasse o Brasil em caso de derrota.

Autoridades argentinas informaram que Flávio, a esposa e as duas filhas cruzaram uma ponte em direção ao norte da Argentina às 22h50 de terça-feira e embarcaram em um voo fretado às 23h30. Seguiram para Miami, com escala no Equador. Não está claro como o senador saiu de Brasília até a fronteira, a cerca de 1.300 km de distância, sem o conhecimento da alfândega brasileira. Durante o trajeto, ele entrou em contato com autoridades americanas.

Jason Miller, assessor de Trump próximo à família Bolsonaro, ajudou a organizar o voo a partir da Argentina, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto — informação também publicada pelo The New York Times. O secretário de Estado, Marco Rubio, recomendou a Trump que autorizasse a entrada, o que foi aprovado pelo presidente.

Durante o voo, realizado em duas etapas, o Departamento de Estado buscou a via legal adequada, em coordenação com o Departamento de Segurança Interna. Ao final, as autoridades concederam o chamado “parole humanitário”, status temporário utilizado em casos de urgência humanitária ou de interesse público relevante.

Em carta aberta publicada no X na quarta-feira (28), Flávio se autoproclamou “o presidente eleito”. Depois, excluiu a publicação e divulgou outra versão, na qual se apresentou como o “líder” legítimo do Brasil.

A saída de Flávio é o capítulo mais recente de um período turbulento na política brasileira e nas relações com os Estados Unidos. Mesmo criticando a condução da eleição, Trump evitou atacar Lula. “Gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, declarou a repórteres na segunda-feira. “Só acho que a eleição deixou uma péssima impressão.”



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