O presidente da Argentina, Javier Milei, elevou o tom das críticas ao Brasil em entrevista a uma rádio de seu país no domingo. Ele acusou o governo brasileiro de liderar e financiar uma “campanha anti-Argentina” durante a Copa do Mundo, estimando que cerca de 25% dos recursos teriam vindo do Brasil. Também citou participação do México e do Partido Democrata dos Estados Unidos.
Milei voltou a ofender o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “ladrão” e “ex-presidiário”. Ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, referiu-se como “lixo calvo”. As declarações ocorreram um dia após o argentino discursar no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro em São Paulo, onde já havia feito insultos semelhantes.
O argentino justificou o comportamento como resposta a uma suposta interferência brasileira na eleição argentina de 2023, quando, segundo ele, assessores brasileiros teriam ajudado o candidato Sergio Massa. Comparou ainda a visita de Lula a Cristina Kirchner com a negativa de autorização para que ele visitasse Jair Bolsonaro.
A reação brasileira foi imediata. O embaixador Julio Bitelli retornou a Brasília nesta madrugada para se reunir com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Fontes do Itamaraty indicam que o objetivo é deixar claro o desacordo e que não há prazo definido para o retorno do diplomata a Buenos Aires.
Em nota, o Itamaraty classificou como sem precedentes a atitude de um presidente estrangeiro proferir agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, ao Judiciário e ao povo brasileiro em território nacional. As relações bilaterais atravessam o pior momento em décadas.
Se a tensão continuar, Bitelli pode permanecer em Brasília por tempo indeterminado. Em caso de escalada, o próximo passo seria a retirada definitiva do embaixador, com redução do nível da representação diplomática. A declaração do embaixador argentino como persona non grata também poderia ocorrer, embora nenhum dos lados deseje a ruptura completa das relações.
O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, criticou as falas de Milei. Em redes sociais, afirmou ter sentido “vergonha alheia” e alertou que as provocações colocam em risco investimentos, exportações e milhares de empregos, prejudicando os interesses argentinos em nome de apoio político a Flávio Bolsonaro.
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