Benjamin Netanyahu acusou nesta quinta-feira (24), na Assembleia Geral da ONU, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de antissemitismo. Chamou de “covardes morais” os diplomatas que saíram do plenário e disse que países ocidentais cederam a “multidões antissemitas”. Rejeitou a acusação de genocídio em Gaza: “Israel não cometeu genocídio. Israel impediu um genocídio.” Classificou a denúncia como “a maior mentira do século” e afirmou que o Hamas usa civis como escudo humano.
O premiê disse que Israel tentou reduzir vítimas civis com mensagens, panfletos em áreas de combate e vacinação contra pólio em Gaza. A Mamdani, afirmou que judeus “não se sentem mais seguros em Nova York” desde a eleição do prefeito, que este faz acusações falsas e repetidas de genocídio e que tentou barrar sua presença na ONU. “Você não pode me silenciar. Você não pode silenciar a verdade.”
Em julho, Mamdani cogitou cumprir o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, expedido em 2024 na investigação sobre possíveis crimes de guerra na ofensiva em Gaza. Dias depois, reconheceu que não tem autoridade legal para prender o premiê. Após o discurso, o prefeito disse que Netanyahu repetiu mentiras para “maquiar o genocídio contra os palestinos” e que nenhuma mentira apaga o mandado internacional.
A fala começou sob vaias e com a saída de várias delegações. Da galeria, um grupo de apoiadores aplaudiu. Netanyahu ironizou: “Se mais algum covarde moralmente quiser sair, que saia agora!” Depois afirmou que o ataque israelense a instalações nucleares do Irã, em junho do ano passado, protegeu o mundo e até países cujos delegados tinham acabado de deixar a sala. Disse que alguns líderes agradeceram em particular e que a decisão foi difícil, mas necessária: “Se não tivéssemos feito isso, estaríamos todos mortos.”
O discurso ocorre no terceiro dia do debate geral da 81ª sessão, em meio a isolamento diplomático crescente. Reino Unido e França restringiram produtos de assentamentos na Cisjordânia. Emmanuel Macron defendeu o reconhecimento do Estado palestino na segunda (21). Autoridades palestinas afirmam que mais de 73 mil pessoas morreram na ofensiva israelense em Gaza, iniciada após o ataque do Hamas que matou cerca de 1.200 pessoas no sul de Israel, em outubro de 2023.
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