Rosa Weber arquiva inquérito contra Bolsonaro no caso Covaxin

Ministra do STF atendeu a novo pedido da Procuradoria-Geral da República
Por: Brado Jornal 23.abr.2022 às 12h21
Rosa Weber arquiva inquérito contra Bolsonaro no caso Covaxin

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber atendeu a novo pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e determinou o arquivamento do inquérito sobre suposta prática de prevaricação pelo presidente Jair Bolsonaro no caso da compra da vacina indiana Covaxin.

No final de março, a ministra havia rejeitado o primeiro pedido de arquivamento, em que o procurador-geral Augusto Aras sustentava que a conduta atribuída a Bolsonaro não configuraria crime (atipicidade), pois não estaria entre as atribuições do presidente encaminhar a denúncia sobre supostas irregularidades nas negociações da vacina.

"O novo pedido, contudo, acrescentou novos motivos para o arquivamento, entre eles a ausência de justa causa para o prosseguimento da investigação, ou seja, a insuficiência dos elementos informativos disponíveis. E, nesse caso, a jurisprudência do STF considera inviável a recusa do pedido", informou a Corte, por meio de nota.

Na decisão, Rosa Weber ressaltou que o arquivamento não impede a reabertura das investigações, caso surjam novas provas, nos termos do Artigo 18 do Código de Processo Penal.

Entenda

O pedido de investigação ocorreu após o depoimento de Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia. Ele afirmou ter sofrido pressão incomum de seus superiores para finalizar a tramitação de compra da Covaxin. Ele também disse que tinha conhecimento de supostas irregularidades no processo.

O servidor é irmão do deputado Luis Miranda (Republicanos-DF), a quem disse ter relatado o caso. À CPI, o parlamentar afirmou ter levado o relato do irmão até o presidente Jair Bolsonaro, em março de 2021, e que nenhuma providência teria sido tomada.

Em junho do ano passado, após as denúncias, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou a suspensão do contrato. Em agosto, foi publicada no Diário Oficial da União a rescisão unilateral do contrato do governo com a Precisa Medicamentos.

No fevereiro, o procurador-geral da República disse não ver crime na conduta de Bolsonaro no caso e pediu o arquivamento do inquérito. Para ele, pedir a apuração de suspeitas no caso Covaxin é ato que "não está inserido no âmbito das suas atribuições, as quais estão expressamente consagradas no texto constitucional, não há que se falar em ato de ofício violado, razão pela qual revela-se ausente o elemento normativo do tipo".

Em janeiro, a Polícia Federal também concluiu que o presidente não prevaricou, tendo deixado de cumprir "um dever cívico".



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Da venda da Ebal ao Banco Master, três figuras do poder baiano passam pela mesma história, cada uma em seu compartimento
O conselheiro: Otto Alencar não participou do leilão, mas sua relação com a Ebal vem de antes: presidiu o Conselho de Administração da empresa, cuja atuação também foi examinada pela CPI aberta na Assembleia em 2007
Ata do debate da Globo prevê convite a Renan Santos se Lula desistir
Documento assinado pelas campanhas deixa a cargo da emissora chamar o candidato da Missão; até agora ele não foi convidado
PF aponta viagem de R$ 1,8 milhão de Lulinha à aurora boreal paga por lobista
Roberta Luchsinger teria custeado roteiro com famílias pela Suécia, Finlândia e Suíça, com hotel de luxo, esqui, jatinho, chef e mordomo, segundo orçamento encontrado no celular dela
Mensagens apontam proximidade entre Vorcaro e Hugo Motta: “queria estar em Mônaco com você”
Diálogos no celular do ex-banqueiro falam de viagens, camarote e empréstimo de R$ 22 milhões à empresa da cunhada; deputado nega ilícito
Candidato ao governo da Bahia sofre acidente de carro em Salvador
Ronaldo Mansur (Psol) estava sozinho e voltava de um enterro em Candeias; Samu o levou ao Hospital Ernesto Simões Filho
Gilmar Mendes mantém quebra de sigilos de ex-assessora de Flávio Bolsonaro
Decisão vale para Danielle da Nóbrega na ação cível de improbidade sobre a rachadinha; defesa dizia que as provas já tinham sido anuladas
Carregando..