Em 2018, depois de duas tentativas sem comprador, o governo da Bahia vendeu a Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), dona da rede Cesta do Povo. Levou a NGV Empreendimentos, por R$ 15 milhões. Augusto Lima foi identificado em reportagens posteriores apontando sua atuação nos bastidores da operação. No pacote, um detalhe de rodapé: o direito de explorar o Credcesta, cartão consignado para servidores estaduais.
O articulador: Segundo apurações da Revista Piauí, do Valor e de outros veículos, Jaques Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico, estava à frente da pasta responsável pelo processo de privatização e manteve interlocução com Augusto Lima durante aquele período. Em 13 de maio de 2026, já senador, foi ao plenário defender a operação e chamou a antiga estatal de “excrescência”. Sua defesa diz que o rito foi regular e que o objetivo era estancar prejuízo público.
O conselheiro: Otto Alencar não participou do leilão, mas sua relação com a Ebal vem de antes: presidiu o Conselho de Administração da empresa, cuja atuação também foi examinada pela CPI aberta na Assembleia em 2007. O relatório apontou indícios de omissão por parte do Conselho Administrativo, então presidido por Otto, mas ele não esteve entre os nomes cujo indiciamento foi pedido pela comissão. Reapareceu no caso neste mês de setembro, nos relatórios da Polícia Federal, em que o banqueiro Daniel Vorcaro o trata por “conselheiro” e “comandante”. Otto começou negando qualquer contato com Vorcaro. Depois admitiu duas ou três conversas por telefone, no celular do advogado Ciro Soares. Segundo o senador, o banqueiro pediu apoio à “emenda Master”, que elevaria a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Ele diz que recusou, e a proposta caiu na relatoria de Plínio Valério.
O que está documentado é a sequência: um leilão, decretos que valorizaram o ativo logo depois, a migração do cartão para o universo do Master e uma crise que gerou impacto bilionário sobre o Fundo Garantidor de Créditos. O FGC provisionou cerca de R$ 40,6 bilhões para o conglomerado do Banco Master. Somadas as liquidações do Will Bank e do Banco Pleno, instituições ligadas ao caso, o valor chegou a aproximadamente R$ 51,8 bilhões. Cabe às investigações da Polícia Federal dizer se essa sucessão de fatos foi coincidência administrativa ou algo além. Até lá, restam perguntas que o poder público baiano ainda não respondeu: quem calculou o valor do Credcesta antes do leilão, por que os decretos vieram tão depressa e quem assumiu o risco de deixar o passivo fora do negócio.
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