Após delação de Marcos Valério, deputado vai pedir CPI sobre ligação entre PT e PCC

Por: Brado Jornal 04.jul.2022 às 06h23
Após delação de Marcos Valério, deputado vai pedir CPI sobre ligação entre PT e PCC

O deputado federal Carlos Sampaio (MDB-SP) afirmou neste sábado, 2, que vai solicitar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para tratar da ligação entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O pedido é baseado na delação do publicitário Marcos Valério. O operador do esquema de corrupção conhecido como ‘mensalão’, durante o primeiro governo Lula, disse à Polícia Federal (PF) que o PT e a maior facção criminosa das Américas mantinham relações estreitas.

“Diante da gravidade das denúncias apresentadas pelo operador do ‘Mensalão’, Marcos Valério, e de muitos outros indícios, informo que segunda-feira vou pedir a abertura de uma CPI para investigar a relação criminosa entre o PT e o PCC. O Brasil precisa de respostas”, afirmou Carlos Sampaio, neste sábado nas redes sociais.

Sobre a delação

Em delação premiada à PF, Marcos Valério revelou que Ronan Maria Pinto, empresário do ramo dos transportes, chantageava o então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, para não revelar o segredo que comprometeria o partido: a existência de um esquema de arrecadação ilegal de recursos para financiar os petistas.

O publicitário disse que soube da suposta chantagem contra Lula depois de conversar com Sílvio Pereira, então secretário-geral do PT.

Valério, condenado a 37 anos de prisão, disse ter sido informado pelo ex-secretário-geral petista de que Ronan iria revelar que o PT recebia clandestinamente dinheiro de empresas de ônibus, de operadores de transporte pirata e de bingos. Nesse último caso, os repasses financeiros ao partido seriam uma maneira de lavar recursos do PCC.

Em depoimentos revelados pela revista Veja, o operador do ‘mensalão’ diz que o então prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado brutalmente em janeiro de 2002, havia produzido um dossiê em que detalhava quem, entre os petistas, estava sendo financiado pelo crime organizado.

Daniel não sabia, contudo, que a arrecadação clandestina por meio de empresas de ônibus não beneficiava apenas a cúpula partidária, mas também vereadores e deputados petistas que mantinham relações estreitas com o PCC. O dossiê teria sumido, disse Valério. “Ninguém achou mais.”

Logo depois do assassinato do então prefeito de Santo André, o partido afastou os políticos envolvidos com o crime organizado. “A posteriori, o PT fez uma limpa e tirou um monte de gente, vereador, que era ligada ao crime organizado”, contou Valério. “Vocês podem olhar direitinho, que vão ver que o PT fez uma limpa e expulsou do partido essas pessoas.”



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