Ex-diretor do BC: ‘PEC da Gastança é um desastre’

Luiz Fernando Figueiredo criticou o discurso de Lula
Por: Brado Jornal 17.nov.2022 às 14h54
Ex-diretor do BC: ‘PEC da Gastança é um desastre’
Foto: Divulgação

O novo governo que irá assumir o Planalto em 1º de janeiro está provocando turbulência no mercado financeiro ao pôr a estabilidade fiscal em xeque. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Gastança, entregue na quarta-feira 16, prevê um estouro do teto de gastos que pode chegar a R$ 198 bilhões.

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende que “não adianta pensar só em responsabilidade fiscal sem pensar no social”.

No entanto, para Luiz Fernando Figueiredo, o ex-diretor do Banco Central (BC), a visão do petista está errada, pois as duas coisas não são compatíveis. “É um enorme equívoco”, disse em entrevista à CNN. “Todos os países que acharam isso acabaram indo para o buraco, temos muitos exemplos na América Latina,” alertou.

Segundo o ex-presidente do BC, a estabilidade é um pressuposto para criar um ambiente para que o país possa crescer e atacar as necessidades. “Num país instável a inflação é muito alta. Quem mais perde com a inflação alta são os mais carentes, os desprotegidos”, explicou. “Não adianta vir um gasto fiscal grande suficiente para gerar instabilidade que, no final das contas, é ruim para os mais necessitados”, disse Figueiredo.

Ele ainda criticou a PEC da Gastança, classificando o novo arcabouço fiscal do governo petista como “um desastre”, por ir além do mínimo razoável.


“Especuladores”

Ainda hoje, Lula atacou o mercado financeiro durante discurso na COP 27: “Vai aumentar o dólar, cair a bolsa? Paciência”, disse. “O dólar não cai por conta das pessoas sérias, mas dos especuladores”, sugeriu o presidente eleito.

Para o ex-diretor do Banco Central, o discurso de Lula está contribuindo para criar um ambiente ainda mais instável. “Aqueles que acham que são um bando de especuladores, no final das contas, são os países que estão nos maiores problemas que temos no mundo”, observou.

“Aqueles que levaram a sério os sinais dos agentes econômicos foram para a trajetória correta. Agora, quem acha que são especuladores, vai para caminho como a Venezuela e Argentina”, concluiu Figueiredo.



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