O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) figura como investigado em inquérito da Polícia Federal sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O procedimento, autorizado em julho pelo ministro André Mendonça, teve o sigilo retirado nesta sexta-feira, 11 de setembro, a pedido do presidente do STF, Edson Fachin.
A PF apura, em tese, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros crimes ligados aos repasses feitos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção. A Procuradoria-Geral da República foi consultada e não se opôs à abertura do caso. Mendonça também determinou que diligências que independem de autorização judicial sigam com a PF. Até a publicação original, Flávio não havia se manifestado.
Há duas frentes no Supremo. A primeira, sob relatoria de Mendonça, examina os aportes de Vorcaro: em que condições ocorreram, de onde saiu o dinheiro, qual o valor exato e para onde foi. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido usada no filme. É nesse inquérito que o senador aparece na lista de investigados.
A segunda, com o ministro Flávio Dino, verifica se a produtora Go Up Entertainment usou emendas parlamentares para bancar a obra. Na quinta-feira, 10, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de desvio de emendas. Entre os alvos estão o deputado Mário Frias (PL) e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora. Dino também proibiu Frias de deixar o país e de falar com os demais investigados.
Uma apuração da Polícia Civil de São Paulo sobre contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para pontos de wi-fi na periferia também passou a tramitar com Dino. O contrato não foi cumprido por completo e há suspeita de desvio.
As conversas entre Flávio e Vorcaro, divulgadas pelo Intercept Brasil, mostram o senador pedindo dinheiro e cobrando pagamentos. Vorcaro teria negociado US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, e enviado R$ 61 milhões por um fundo nos Estados Unidos. A produtora afirma ter gasto R$ 75,1 milhões. Há ainda um contrato de R$ 108 milhões entre ONG ligada a Karina da Gama e a Prefeitura de São Paulo.
A Operação Make Up, autorizada por Dino e feita com a Controladoria-Geral da União, cumpriu 49 mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. O caso se soma à crise no STF em torno das investigações do Banco Master, que envolve Mendonça, Alexandre de Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
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