O Supremo Tribunal Federal deve se debruçar na terça-feira, 15 de setembro, sobre a validade de um relatório da Polícia Federal extraído do aparelho de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O documento aponta uma possível ligação entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes. Antes dessa sessão, o ministro Cristiano Zanin encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um ofício em que solicita acesso à totalidade dos dados retirados do celular.
O aparelho, um iPhone 17 Pro apreendido na investigação envolvendo Vorcaro, permanece sob responsabilidade do gabinete de André Mendonça. Zanin quer que todo o conteúdo da mídia examinada pela PF seja copiado para um HD e colocado à disposição dos demais integrantes do tribunal, e não apenas os trechos já utilizados no laudo.
A manifestação de Zanin chegou um dia depois de Fachin determinar o compartilhamento, com os outros ministros, dos procedimentos ligados ao caso Master. O presidente do STF também determinou a retirada do sigilo das apurações, ressalvadas apenas as informações cuja divulgação pudesse comprometer diligências ainda em curso.
André Mendonça cumpriu a ordem de forma parcial. Parte do acervo foi disponibilizada, mas documentos e algumas frentes investigativas continuaram reservados. Moraes reagiu e afirmou a Fachin que houve “escolha seletiva” do material. Segundo o ministro, 180 peças e arquivos digitais de cinco procedimentos permaneceram inacessíveis. Ele pediu o levantamento integral do sigilo, argumentando que a ausência desses elementos prejudica a análise pelo plenário.
A Procuradoria-Geral da República já requereu a anulação do relatório da PF que atribui a Moraes conversas com Vorcaro. O próprio Moraes, por sua vez, pediu que o Supremo examine na mesma sessão um segundo conjunto de informações, relativo à atuação de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. Para o ministro, as duas frentes estão interligadas e não deveriam ser tratadas isoladamente.
Além do julgamento conjunto e da abertura completa dos autos, Moraes solicitou que ministros citados nas investigações tenham a oportunidade de prestar esclarecimentos. A disputa sobre o alcance do material e o formato da sessão ocorre, portanto, nas vésperas da data marcada para o plenário decidir sobre o laudo produzido a partir do celular de Vorcaro.
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