O ex-vereador Milton Leite (União Brasil) se entregou na tarde desta sexta-feira (18) numa delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Alvo de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta (17), ele estava foragido. Disse que estava viajando e voltaria para provar a inocência. Chegou acompanhado de advogado.
Polícia Civil e Gaeco o investigam por suspeita de atuação do PCC no transporte público da capital. Relatório policial afirma que ele seria responsável direto pela operação de empresas controladas pela facção e “dono de fato” da Transwolff, já alvo da Operação Fim da Linha. A tese também aparece em depoimentos de PMs no Tribunal de Justiça Militar.
Nesta sexta, agentes procuraram Milton numa casa de assessor em Sorocaba e não o acharam. No imóvel havia dinheiro e documentos. Foram apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil (cerca de R$ 457 mil). Quem estava no local não soube explicar a origem.
O nome do ex-vereador surge ainda em conversas de José Daniel Satilite, apontado como integrante do PCC. Depois da Fim da Linha, Daniel teria dito ao advogado Milton Milreu que, se a UPBus fosse trocada pela Translider, seria preciso avisar Milton Leite. A polícia descreve o político como figura de forte influência no setor. Também cita empreiteira ligada a ele com contratos sob apuração com empresas de ônibus ligadas à facção, sem nomear a construtora nem detalhar os contratos.
A Transwolff afirma que Milton nunca teve participação societária, nunca gestou a empresa nem deu ordens, e considera a imputação equivocada. Diz que o empresário Luiz Carlos Efigenio Pacheco nunca havia sido denunciado até a Fim da Linha e que a intervenção da Prefeitura se apoia em questões financeiras do setor, não em fundamento criminal.
A Vectura Corrupta desdobra operações anteriores. Em abril de 2026, a Contaminatio mirava fintech usada pela facção para se infiltrar em prefeituras e gerir tributos. A linha começou em agosto de 2024, na Decurio, após apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba. Dados do celular da mulher de um líder do PCC levaram à Sintonia Final e à fintech, que teria movimentado cerca de R$ 8 bilhões. Na primeira fase também surgiram campanhas de vereadores patrocinadas pelo grupo e servidores comissionados em prefeituras.
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