Lula em entrevista à Time: ‘É urgente criar nova governança mundial; ONU hoje não representa mais nada’

Questionado sobre o que seria necessário para o país se tornar essa referência internacional da qual fala é que foram feitas as críticas a ONU: “A ONU de hoje não é levada a sério pelos governantes
Por: Brado Jornal 04.mai.2022 às 11h45
Lula em entrevista à Time: ‘É urgente criar nova governança mundial; ONU hoje não representa mais nada’
Reprodução/Revista Time

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é destaque nesta quarta-feira, 4, na capa da revista norte-americana Time, sob o título de “O segundo ato de Lula”. Atualmente pré-candidato à presidência da República, Lula concedeu entrevista à publicação, na qual falou sobre suas propostas para o Brasil no âmbito social e econômico, tendo citado seus resultados nos governos do passado, com aprovação de mais de 80% da população. Ele ainda abordou questões de diplomacia internacional e a guerra na Ucrânia. Segundo Lula, em um possível próximo governo dele “O Brasil vai virar protagonista internacional, porque a gente vai provar que é possível ter um mundo melhor”, mas para isso seria necessário “criar uma nova governança mundial. A ONU de hoje não representa mais nada”, afirmou.

A fala sobre a Organização das Nações Unidas foi feita quando Lula criticava a guerra da Ucrânia e da Rússia e dizia ser a favor sempre do diálogo e da paz. “Eu acho que o problema é que, se a gente não tentar, a gente não resolve. É preciso tentar”, disse. E completou: “Eu sou um cara que só pensa em paz. Eu não penso em guerra. […] O Brasil não tem contencioso nem com os Estados Unidos, nem com a China, nem com a Rússia, nem com a Bolívia, nem com a Argentina, nem com o México. E é o fato de o Brasil ser um país de paz que vai lhe fazer restabelecer a relação que nós criamos de 2003 a 2010. O Brasil vai virar protagonista internacional, porque a gente vai provar que é possível ter um mundo melhor”.

Questionado sobre o que seria necessário para o país se tornar essa referência internacional da qual fala é que foram feitas as críticas a ONU: “A ONU de hoje não é levada a sério pelos governantes. Porque cada um toma decisão sem respeitar a ONU. O Putin invadiu a Ucrânia de forma unilateral, sem consultar a ONU. Os Estados Unidos costumam invadir os países sem conversar com ninguém e sem respeitar o Conselho de Segurança. Então é preciso que a gente reconstrua a ONU, coloque mais países, envolva mais pessoas. Se a gente fizer isso, a gente começa a melhorar o mundo”, declarou Lula.

Ainda sobre a guerra no Leste Europeu, Lula disse culpou os presidentes dos dois países envolvidos diretamente, Volodymyr Zelensky e Putin, além da postura da União Europeia, dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que, segundo ele, estariam agindo muito sem ter dialogado o suficiente anteriormente. “Esse cara [Zelensky] é tão responsável quanto o Putin. Ele é tão responsável quanto o Putin. Porque numa guerra não tem apenas um culpado. O Saddam Hussein era tão culpado quanto o Bush (…) Ele quis a guerra. Se ele [não] quisesse a guerra, ele teria negociado um pouco mais. É assim. Eu fiz uma crítica ao Putin quando estava na Cidade do México, dizendo que foi errado invadir. Mas eu acho que ninguém está procurando contribuir para ter paz. As pessoas estão estimulando o ódio contra o Putin. Isso não vai resolver! É preciso estimular um acordo”, disse.

Já sobre a economia brasileira, Lula falou sobre a importância de valorizar os pobres, dando a eles condições de participar da economia e de poderem se alimentar, como condição para que o Brasil cresça. “A gente não discute política econômica antes de ganhar as eleições. Primeiro você precisa ganhar para depois saber com quem você vai compor e o que você vai fazer. Quem tiver dúvida sobre mim olhe o que aconteceu nesse país quando eu fui presidente da República: o crescimento do mercado”.



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