Assessor de Lula quer manter navios iranianos no Brasil

Para Celso Amorim, decisão é soberana e consistente com Direito internacional
Por: Brado Jornal 03.mar.2023 às 17h46
Assessor de Lula quer manter navios iranianos no Brasil

Chefe da Assessoria Especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim defendeu a permanência dos navios iranianos no Porto do Rio de Janeiro. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele disse que a decisão é correta e respaldada em normas de Direito internacional.


“É uma decisão soberana nossa, do Brasil”, declarou Amorim. O país autorizou, no domingo 26, dois navios da Marinha do Irã a permanecerem no Rio de Janeiro até 4 de março. Diversos países se recusaram a permitir a entrada das embarcações iranianas.

Aliás, o Brasil não apenas deu porto aos navios, como membros do governo brasileiro participaram, na terça-feira 28, de uma solenidade em alusão aos 120 anos de relações diplomáticas entre os dois países. A cerimônia foi a bordo da fragata Iris Dena.

Para Amorim, a decisão da Marinha brasileira “é consistente com o Direito marítimo internacional e com a boa prática diplomática”. Ele não respondeu diretamente às críticas dos governos dos Estados Unidos e de Israel. Esses dois países foram enfáticos em dizer que o Brasil adotou uma atitude errada, já que o Irã é considerado uma nação inimiga, que planeja construir armas nucleares, mantém laços com terroristas e, internamente, não respeita os direitos.

“O Brasil é uma nação soberana, mas acreditamos firmemente que esses navios não devem atracar em lugar nenhum”, disse a embaixadora norte-americana, Elizabeth Bagley, no dia 15. Na quarta-feira 1º, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, reiterou a crítica. O governo de Israel emitiu nota na qual chamou de “perigosa e lamentável” a ação brasileira e pediu para o Brasil “seguir os passos” dados por União Europeia, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão e chamar o “regime iraniano pelo que realmente é: uma entidade terrorista”.

A fragata Iris Dena escolta o Iris Makran, considerado um “monstro do mar”, com 230 metros e cerca de 120 mil toneladas. Mais que um petroleiro convertido em porta-helicópteros, a embarcação pode lançar drones de grande porte, armados com mísseis ou de espionagem. Segundo o Departamento de Defesa norte-americano, o Iris Makran abriga a bordo um avançado centro eletrônico de coleta de dados, escuta de comunicações e vigilância de área.



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