Trump ameaça intervenção militar se Irã matar manifestantes, enquanto regime corta internet e intensifica repressão

São as maiores manifestações no Irã desde 2022
Por: Brado Jornal 08.jan.2026 às 18h46
 Trump ameaça intervenção militar se Irã matar manifestantes, enquanto regime corta internet e intensifica repressão
Fars via AP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou Teerã nesta quinta-feira (8) que responderá com força caso as autoridades iranianas iniciem mortes em massa de manifestantes.
"Deixei claro que, se eles começarem a matar pessoas (algo que costumam fazer em seus tumultos), nós os atingiremos muito duramente", declarou Trump em entrevista ao radialista conservador Hugh Hewitt.

Os protestos no Irã, que completam 12 dias, começaram em 28 de dezembro com comerciantes de Teerã indignados com a alta dos preços e a desvalorização recorde do rial, a moeda local.
Rapidamente, as manifestações se expandiram para outras cidades e incorporaram demandas políticas mais amplas.

Segundo contagem da AFP, os atos já alcançaram 25 das 31 províncias do país, resultando em dezenas de vítimas fatais, inclusive agentes de segurança.

Vídeos autenticados pela AFP mostram participantes gritando consignas como "é a batalha final, Pahlavi voltará", referindo-se à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, ou "Seyyed Ali será destituído", em alusão ao líder supremo Ali Khamenei, que ocupa o cargo desde 1989.

A ONG de monitoramento cibernético Netblocks confirmou, com dados em tempo real, que o Irã sofre um bloqueio total de internet em âmbito nacional.

Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou nesta quinta o pedido por "máxima contenção" das forças de segurança, defendendo o diálogo e a atenção às queixas da população.

Dia mais violento

O balanço exato de vítimas ainda é incerto.
A organização Iran Human Rights (IHR), baseada na Noruega, registra ao menos 45 mortos entre os manifestantes, dos quais oito eram menores de idade.

Quarta-feira (7) registrou o maior número de óbitos, com 13 casos, conforme a IHR, que também aponta centenas de feridos e mais de 2 mil prisões.Trata-se das maiores mobilizações no Irã desde os protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini em 2022, detida por supostamente infringir as regras estritas de vestimenta para mulheres.


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