O que a PF aponta contra Moraes e como o ministro se defende

Sessão extraordinária desta terça discute se o relatório sobre Vorcaro autoriza investigar o magistrado
Por: Brado Redação 15.set.2026 às 10h28
O que a PF aponta contra Moraes e como o ministro se defende
Reprodução

Edson Fachin convocou o plenário do Supremo para esta terça-feira (15) para analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e a Alexandre de Moraes. Os ministros vão decidir se o material justifica a abertura de uma investigação. Há dúvidas sobre a validade do documento e sobre o alcance do exame da Corte.

Na segunda-feira, Moraes se pronunciou pela primeira vez. Negou irregularidades, disse que não favoreceu o Banco Master nem o banqueiro e afirmou que nunca julgou processos envolvendo os dois.

O celular de Vorcaro é a origem das suspeitas. Ele usava prints de bloco de notas e fotos temporárias, o que impede a recuperação de respostas. O relatório traz o que o empresário enviou, mas não o que Moraes teria escrito.

A PF indica que o ministro teria editado um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e Vorcaro. Há ainda um segundo acordo, de R$ 50 milhões, com outra empresa do banqueiro.

Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, na noite do dia 17, foi preso em Guarulhos ao tentar embarcar em um jato particular.

No dia 14, segundo a PF, ele falou em “dívida de vida” e agradeceu por “tudo”, no mesmo dia em que combinaram um encontro na casa do empresário. O relatório aponta vários encontros entre março de 2024 e agosto de 2025.

Na véspera, a pedido de Moraes e com parecer da PGR, André Mendonça levantou o sigilo da PET 15645, sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do banco.

Moraes diz que tentam responsabilizá-lo por anotações de terceiros. Fala em ofensiva político-eleitoral e em “vingança” contra sua atuação no STF.

Afirma que o relatório “não apontou a existência de nenhum indício de infração penal” e se apoia em notas do celular de Vorcaro. Destaca que não há mensagem de sua autoria sobre consultoria, favorecimento ao Master ou ciência prévia de operação policial. As conclusões, segundo ele, vieram de recortes sem perícia técnica.

Declara que desconhecia a Operação Compliance, não falou com investigadores e não vazou dados. Diz que não praticou ato em proveito de Vorcaro ou do banco.

Sobre o suposto vazamento, argumenta que a prisão com passaporte verdadeiro e o próprio celular mostra que Vorcaro não sabia da existência do mandado. A operação teria sido bem-sucedida, e o aparelho apreendido é o que permitiu dar continuidade à apuração.

Moraes também ataca a origem da investigação de Mendonça: sem pedido da PGR, sem provocação da PF e sem aval do plenário. “Na presente hipótese, de maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte.”

A PGR pediu o arquivamento por “vício de origem”. Mendonça defendeu as medidas como cautela, após anotações de Vorcaro citarem Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

O colegiado deve decidir se há base para investigar Moraes ou se o relatório será invalidado pela forma como a apuração foi iniciada.



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